SOBRE A GREVE NA UNIR I

Terça-Feira , 25 de Outubro de 2011 - 18:51h

AOS PROFESSORES DA UNIR E À SOCIEDADE RONDONIENSE

 

No último fim de semana, a greve de parte de professores e alunos da UNIR tomou rumos dramáticos, com a prisão, pela Polícia Federal de um professor, e com a mediação de um Senador, no sábado e domingo, em busca de diálogo, entre os grevistas e a reitoria.

 

A tentativa malograda, todavia, faz com que eu, pela primeira vez, me dirija diretamente aos meus colegas, em especial aos grevistas, e a sociedade rondoniense, em geral, para propor uma alternativa para a crise, cuja intensidade não tem apenas denegrido o nome de nossa maior e melhor Instituição de Ensino Superior, mas também aviltado o nome de famílias e a dignidade de pessoas.

 

Não merecemos isso, nem a UNIR, nem a sociedade rondoniense! E por quê?

 

Porque somos uma universidade nova, pequena e periférica, cujo peso político tem inviabilizado sistematicamente nossas reivindicações junto ao MEC. Exatamente por isso, quando – na primeira semana do movimento paredista – a greve lutava por melhores condições de trabalho, de ensino, de pesquisa e extensão, teve nosso apoio.

 

Porém, quando, uma semana depois de deflagrada, a greve deixa de lado a luta por melhores condições de trabalho, ensino, pesquisa e extensão, e passa a lutar tão simplesmente pelo afastamento do reitor, vimos que era um movimento manipulado por antidemocráticos e enganadores das verdadeiras aspirações acadêmicas.

 

Antidemocráticos, porque não respeitam o resultado, este sim, democrático das eleições ocorridas dez meses antes; enganadores, porque iludem aos que desconhecem a base legal – respaldada pela Constituição Federal, pela LDBEN e pelo Estatuto e Regimento da Universidade Brasileira – ao afirmar que apenas denúncias podem derrubar o reitor.

 

Já viram que numa sociedade democrática não é bem assim!

 

Legalmente, um reitor só pode ser afastado do exercício de seu mandato, em três situações:

  1. Não aprovação da Prestação de Contas Anual, pelo TCU;
  2. Comprovação de Improbidade Administrativa;
  3. Por 2/3 dos votos no Conselho Universitário.
  4.  

Fora isso, só se o reitor quiser de livre e espontânea vontade; ou se o MEC entender que deve fazer uma Intervenção. Neste último caso, também é um estorvo à Autonomia Universitária e, portanto, à Democracia!

 

Todos os professores líderes do movimento sabem disso, resta saber se assim informaram à comunidade.

 

Resta saber se informaram à comunidade que, ao passar da pauta de melhorias para a UNIR para o “Fora Januário”, estavam levando todos ao confronto com a Polícia Federal, com as Instituições Democráticas desse país (incluindo a Justiça Federal) e, o mais grave, a se aliar com os grupos extremistas, autodenominados de revolucionários, que dirigem a ocupação do prédio da reitoria.

 

E não deturpem o que digo: “grupos extremistas, que dirigem”, não quero dizer que todos sejam desses grupos.

 

Bem sei que muitos ali estão, porque pensam que estão lutando por melhorias para a universidade. Lamento informar, contudo, que isso não é verdade, e um dia saberão que não era nada disso, e que – quase tudo – era um engodo. Aliás, seria digno informar à comunidade o que significa MEPR, para que as mães e os pais de muitos saibam onde os filhos andam se metendo.

 

Dito isto, professores e professoras, e todos que trabalham na UNIR, é fundamental distinguir a luta pelas melhorias (plenamente justas, eu próprio, como Diretor, também sou vítima dessa falta de condições infraestruturais, e outras), da luta desesperada e desesperadora (e seus mais diversos interesses escusos) contra o reitor.

 

Daí a importância desse fim de semana: em função do acontecido com o professor que foi preso (a quem, desde logo, presto minha solidariedade), a reitoria da UNIR, num ato de grandeza, propôs ao mediador, Senador Valdir Raupp, que se afasta das funções (em férias) para que não haja dúvidas sobre o trabalho da Comissão de Sindicância do MEC para que apurem as irregularidades, que lhes são imputadas.

 

Ora, se as irregularidades forem comprovadas e o reitor condenado por elas, só lhe caberá uma única saída: a renúncia!

 

Portanto, parece mais que sensato, nesse momento, avaliar se é política e academicamente mais vantajoso continuar com a greve, aumentando a tensão e o confronto (e observe que a tensão e o confronto não são contra o reitor, e sim contra as autoridades constituídas), ou se é hora de parar com a greve, entendo que o objetivo foi alcançado: conseguimos do MEC aportes significativos de recursos financeiros para o ensino, pesquisa, extensão e equipamentos; contratação de professores e técnicos; e, o mais importante (do ponto de vista dos grevistas), uma Comissão de Sindicância para apurar as supostas irregularidades.

 

É o que tenho a dizer no momento, com a palavra os professores e à comunidade.

Fonte: Prof. Dr. Antônio Carlos Maciel

Quem sou

Passei em três vestibulares (1979, Filosofia; 1980, Administração de Empresa; 1981, Pedagogia – todos na Federal do Amazonas). ...


Links Relacionados

UNIR
UNIR-Ariquemes

 

Banco de Professores

Busque professores cadastrados em meu site


 

Agenda

© 2010 - Todos os direitos reservados - Prof. Dr. Antônio Carlos Maciel - Rondônia/Brasil - 2010
Total de Acessos: 035676    |    1 usuário(S) conectado(s) no site